POEMAS


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Escrito por wilton cardoso às 09h46
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à noite todas as luzes se acendem lá fora

e aqui dentro           as luzes se apagam depois

no dentro da madrugada      no fora da alvorada

 

mas que lira besta

toda cheia de dentro e fora

de luzes e sombras

nascimentos e mortes bem recordados

quando o mundo e as liras      [e as vidas]

são cheiros de tudo   misturado

o joio no trigo

o jorro da tribo

morro & vivo

em cada segundo vagabundo

na vida     nada se depura

nos limites que se trituram



Escrito por wilton cardoso às 16h20
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DO MÉTODO

 

por impulso

um rigor assistemático*

erudição rarefeita

susto  lapso  estalo

istos & istmos

sinas & sinapses

    luzes    vozes

    mudas    fátuas

 

 

* assimétrico e anexato

  cuja precisão repousa exatamente

  no movimento incerto e incessante

  pausas imprevistas

  uma ave pousa sobre a nave no mar

  tudo anda    tudo onda



Escrito por wilton cardoso às 16h06
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         canção adolescente

  

acabou o filme

com a vida   que acabou

hora de dormir

  

fechei as portas da casa

fechei as janelas

fechei os olhos e o que passou

                                              abril

fechei o passado então

fechei a boca e um aperto no peito

fechou

 

para que serve uma vida

pra que serve uma saudade

e uma dor   estar alegre

fechei-me a tudo   mudo

um espanto

                    calmo

                                 me atravessou

 

uma voz quis falar

numa boca que calou

um calor um frio um amor

um tédio e tudo      voltou

       ao mesmo tempo

       num momento que passou

                                   e ficou

                        vazio

que se fechou

  

ah meus anos 80

tão toscos tão rock

ídolos pop   suicidas

histeria catatonia

amor aids rancor

rancor aids amor

  

15 de novembro de 2006



Escrito por wilton cardoso às 09h33
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       canção do velho poeta

 

já fiz o que podia
poesia  prosa  contraste
entusiasmo e desastre

 

vai prestar? não vai prestar?
vai depender da sua potência
(alheia a qualquer vontade)
de lírio de vírus de peste

 

vivi um pouco de vida
o que pôde meu fogo precário
iras amores e tédios

 

depois (agora) o que
fazer/viver no pós pouco
que pude fazer do viver

 

pedra   vazio   impasse

       wilton cardoso



Escrito por wilton cardoso às 10h55
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a magia rompe o instante

avizinha-se o distante

o espanto           se cala

nenhuma fala

 

infinita

pausa

 

no entanto apenas

um esquecido

 

                       instante

 

wilton cardoso



Escrito por wilton cardoso às 14h58
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PÓS-PORRE

ai que dor de cabeça



Escrito por wilton cardoso às 11h10
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PORRE

baco

sem dúvida alguma

é o melhor amigo de orfeu



Escrito por wilton cardoso às 15h34
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Só há fluxos: sem fontes, sem fins...

E todo fluxo fecundo é um elã de loucura.

                                  (fraco átila) 

agora

para viver um pouco

de lucidez

é preciso ser louco

porque a loucura está além

do desespero e aquém da calma

 

com suas proto-almas

as vozes loucas não brotam

de nenhuma boca

e não vão

para qualquer ouvido

são em vão      olvidas

brotam

no vão das vozes

 

por isto a voz do louco

como um curso contínuo

e quebradiço      erra

por entre as guerras

movediças   e acerta

o alvo que alma alguma

(com seus céus e infernos bem medidos)

pôde

 

no agora do agora

a voz do louco nos explora

campos de aquéns e aléns que se enrolam

e desenrolam-se alheios

a qualquer fio de meada

wilton cardoso



Escrito por wilton cardoso às 10h24
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     fragmento acidentado

 

agora é ruidoso            e ruinoso

a paisagem          anda difusa

a paisagem anda

há tantos sons             velozes

e a voz corre cansada

sempre fora               da hora

e nada ri(t)ma       nada

se completa e se ouve apenas

ecos             refratados

   o tato    não liberta

   o tonto da tortura

   da doçura do tateio

wilton cardoso



Escrito por wilton cardoso às 09h48
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oração do bruxo

tomara que ninguém goste de mim

que nem um desses críticos de claras

idéias raras tomadas das iaras

acadêmicas chatas e anêmicas

me queira cria de suas teorias

mofadas de verdades e estruturas

esculturas sem um pingo de energia

(wilton cardoso)



Escrito por wilton cardoso às 09h57
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o eco é a sombra sonora

daquela voz aurora

daquela voz outrora

daquela voz canora

que chora o herói morto

e celebra o mito vivo

renascido ao infinito

 

daquela voz agora

só sobra a sombra   o oco

do eco perdido da voz

no rio sem fonte e sem foz

de uma boca que se evola

 

      wilton cardoso



Escrito por wilton cardoso às 16h09
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a cidade se oferece ao olhar

que a fita   fixa   de um lugar

horizonte desdobrado na imanência

do espaço indiferente em que se movem

olho e paisagem

                              miragem

                                                sensação

mirada de um ponto que se arrisca

e precipita-se na linha movediça

do acaso     a perder de vista

 

olhar é um jogo de azar

 

                        (Wilton Cardoso)



Escrito por wilton às 12h46
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Beijo

 

A este pedaço de pó,

talvez por um sopro de acaso

no caos, foi dado um querer

infinito e um saber-se precário.

 

Te imprimo um beijo

turbilhão de desejos fora de mim,

donos de mim, quase desfeito

rastro que te deixo

enquanto queimo,

 

vento do momento.

Wilton Cardoso



Escrito por wilton às 14h29
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vento do momento    fica a vida

turbilhão de desejos     imprimo-te um beijo  

rarefeito    rastro      que te deixo  

enquanto queimo   vento do momento



Escrito por wilton às 12h46
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