POEMAS


   imaginário de um rio entre pedras

     viajando de acaso a acaso

signo da sina sem nome

   a fluir entre margens  incertas

        onde canta a melodia

    do desencanto de viver

 

escrevi o mesmo livro

a vida inteira

o crepúsculo cai sobre a cidade

e um frescor sombrio me invade

 

crianças voltam da escola

o crepúsculo desenha no horizonte

um céu vermelho   vivo   a vida toda

o mesmo ciclo de acasos e ocasos

a cidade banha-se de sombras

embaçando o arvoredo e a passarada

 

as pessoas vão descansar

para outra aurora

o vício

de viver dia após dia

a vida agora vida afora (a agonia)

 

a mesma sina a mesma estrada anoitecida

banhada de tristeza e salpicada

parcamente por um pouco de alegria

muito breve muito leve e fugidia

wilton cardoso



Escrito por wilton às 13h02
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faz a coisa sem cuidado

sem ritmos nem ecos

nenhuma melodia ou sutileza sem um sol

brilhando ao meio dia

o poema pinga à meia noite

pro exu da encruzilhada

o poema reza ao judas

ora se esparrama ora

se contrai

feito a praga a gripe a mágoa

feito o riso da putaiada

o risco desta tela

feito um cu

o poema feito à boca de velha índia sem dentes só gengiva

beijando na sua língua

um cauim daquele amargo

de amar a margem larga

das bucetas desta terra

de bytes e de asfalto

de cifras e assepsias

e putas e fadas e business men e mistérios e mutretas

[e padres e pastores e consultores e crentes e doutores e contentes descontentes e engenheiros e analistas financeiros pilantreiros psicolojistas e jornalistas e soldados e eleitos picaretas pagodeiros professores farofeiros e puteiros e donas de casa e tecnocratas e democratas e maconheiros e

franco átila

exu de wilton cardoso  



Escrito por wilton às 12h40
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escrever

pra quê
este desvio do exato
e da certeza

 

houve um quando
em que traços na superfície
atingiam profundezas

 

houve quem
viu a verdade
nos riscos de um deserto branco

 

isto e aquilo  tu e eu
ésquilo narciso   prometeu
espelhos e aparelhos

de papel

 

tudo entregue
às traças do mal entendido

p. leminski
psicografado por wilton cardoso



Escrito por wilton às 10h06
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